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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Há um blogue espanhol que está a sortear uma volta ao mundo… com "salário"


O blogue MolaViajar está a sortear uma viagem à volta do mundo e qualquer pessoa pode participar. O prémio? Bilhetes de avião para rodar o globo e um “salário” de 2000 euros. O vencedor pode levar acompanhante.

Os autores do blogue espanhol MolaViajar lançaram este domingo um sorteio para uma viagem em redor do planeta, com bilhetes de avião e salário incluído. Depois de duas voltas ao mundo, Adrián e Gosi decidiram que é chegada a vez de os seguidores terem a mesma oportunidade. Ou pelo menos o feliz contemplado que vir o seu nome sair da tômbola digital.
Para participar no passatempo "Dá a volta ao mundo grátis" basta ter mais de 18 anos, ser subscritor do canal de Youtube do blogue, inserir o primeiro e último nome e respectivo endereço de e-mail. Não há qualquer restrição quanto à nacionalidade ou país de residência. As inscrições no passatempo encerram no dia 31 de Março às 12h CET (menos uma hora em Portugal Continental) e o sorteio é realizado “durante a semana do dia 3 de Abril” (com transmissão em directo nas redes sociais do blogue).
O prémio contempla bilhetes de avião para dar a volta ao mundo; um “salário” para “gastos realizados durante a viagem”, como despesas com alojamento, comida, deslocamentos ou actividades turísticas; uma mala de viagem; e seguro.
Os valores estão dependentes da escolha do premiado: prefere viajar sozinho ou acompanhado? No primeiro caso, o prémio inclui “bilhetes de avião num montante máximo de 2.500 euros”, um salário de “2.000 euros” e seguro de viagem “até três meses”. Se preferir partilhar a aventura com alguém, são oferecidos “bilhetes de avião para duas pessoas num montante máximo de 1.750 euros por pessoa”, o valor atribuído para despesas de viagem desce para “1.000 euros no total” e o seguro de viagem cobre apenas um mês.
Em périplo solitário ou a dois, a volta ao mundo sorteada poderá ter “uma duração mínima de um mês e máxima de quatro” e terá de ser disfrutada até ao final deste ano. A rota será acordada previamente entre o vencedor e a organização, mas vai incluir “alguns destinos fixos”, como Tailândia ou Sidney.
O espanhol Adrián e a polaca Gosia criaram o blogue MolaViajar em finais de 2008, onde partilham aventuras e dicas de viagem. Desde então já deram duas voltas ao mundo – a primeira numa lua de mel de oito meses e a segunda com a filha Daniela, então com cerca de um ano e meio.

Fugas

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ele conta 100 países no passaporte e os melhores são os “complicados”

Tem uma predilecção por “países menos ortodoxos” e histórias de fronteiras, daquelas que incluem passagens atribuladas e carimbos suados no passaporte. Para Rui Barbosa Batista, 100 países no currículo e o 101.º em curso, "as férias são um bem escasso e precioso".

Rui Barbosa Batista tem um lema sobre viagens: “As boas histórias acontecem nos países complicados”. Até pode parecer uma frase feita de quem regressou há pouco de férias, mas este jornalista sabe do que fala.
Com 46 anos, Rui chegou a um número redondo (e invejável) na contabilidade de viagens: o Japão foi o 100.º país que visitou. Era “um sonho de há muitos anos”, diz, cumprido com outras dez pessoas em mais uma viagem com o cunho da plataforma Born Freee. Rui anuncia, no Facebook, onde vai, quando e com quantas pessoas está disposto a partilhar a viagem.
A Internet, a rede de contactos que foi fazendo e a vontade que muita gente tem de viver experiências diferentes lá fora fazem o resto. “Tem havido gente suficientemente louca para alinhar nisso”, brinca, apesar de este ser um assunto sério na sua vida. “Para relaxar, quando estou stressado, ponho-me a pesquisar viagens, destinos que não estou a pensar conhecer já. As férias são um bem escasso e precioso.”
Tudo começou porque os amigos não largavam o jornalista da Agência Lusa quando este viajava, sobretudo para os tais “países complicados”. Recebia muitos e-mails com perguntas sobre a viagem, que locais visitava, onde ficava, o que comia. Como não queria deixar de responder — “e perdia muito tempo com isso” —, criou o Born Freee, plataforma que funciona como uma “garantia de memória” dos 100 países que já conheceu. E das melhores histórias.
As favoritas são “as de fronteiras”, quando “viajar era mais romântico”. “Dava para fazer um livro só com isso: já tive que subornar polícias, passar fronteiras a fingir que não estava a perceber as pessoas ou a andar de boleia em boleia porque não se podia passar a pé”, conta, no Porto, onde vive desde que entrou para a faculdade.
Antes de explorar outros continentes, Rui deu “cinco voltas de carro à Europa, com amigos” — e começou “muito tarde”, antes de os voos low-cost abrirem horizontes a muitos. A exploração do “Velho Continente” está quase completa. Bielorrúsia, Islândia e Chipre são os únicos países europeus em falta. Correcção, eram. No dia que este texto é publicado, o vimaranense está na ilha do Mediterrâneo a riscar mais um país na sua lista. “Sou um vendido.
Tinha prometido a mim próprio que neste segundo semestre do ano precisava de abrandar e só ia ao Japão. Entretanto já fui ao Canadá e agora o Chipre.” Encolhe os ombros e aceita a inevitabilidade: “Tenho necessidade de, muito regularmente, ouvir uma língua estrangeira e provar comida diferente, viver em casas distintas.”
Andou pelos países bálticos oito vezes, quatro na China, três na Argentina e no Canadá, duas na Patagónia. O Egipto, a Birmânia e o Irão foram partilhados com mais viajantes, normalmente pessoas “que não querem ir sozinhas nem em grupo, numa agência, a seguir uma bandeirinha”. A maior parte são solteiros, “entre os 35 e os 45 anos”. “Antes da viagem, promovo um ou dois jantares em casa para todos se conhecerem, crio uma página no Facebook e todos contribuem”, explica. O programa nunca é fechado, a ideia não é “ir numa excursão”. “Não é o dinheiro que me move, o que quero mesmo é curtir, ter uma experiência fixe.”
“Nas minhas viagens, a regra é: se queres tudo direitinho, vai com uma agência de viagens.” Rui é viciado no “imprevisto” — e a imprevisibilidade, como as histórias, é mais incrível nos “países complicados”. Os favoritos são, sempre, “os menos ortodoxos”. “O primeiro mundo, a mim, não me puxa muito”, confessa. “É muito igual em todo o lado. As paisagens mudam, sim, mas não experimentas propriamente dificuldades inesperadas.” Quando as coisas correm mal — e às vezes correm, claro, não se conhecem 100 países sem alguns calafrios —, “ficas com uma grande história”. “No momento, sofro; mas enquanto estou a sofrer, já estou a pensar como vou contar aquilo."
Em “países direitinhos” seria mais difícil coleccionar momentos como aquele que viveu, em 2005, na Tunísia (e que relatou numa crónica, publicada no P3 em 2012). Num mercado turístico, Rui conheceu Muammar Abu Minyar al-Gaddafi (Khadafi), com quem conversou durante uns minutos entre “capangas e repórteres de imagem”. “Foi uma conversa cinco estrelas, sobre Portugal.” No fim, o fotógrafo oficial acedeu ao pedido de imortalizar o momento e as imagens foram entregues, em casa do jornalista, que recebeu correio de Khadafi.
É a prova de que o mais importante, nisto de viajar muito, “são mesmo as pessoas” — e a “gente verdadeiramente incrível” com a qual se tem cruzado, nos últimos 20 anos, tem mudado a sua consciência. Passar várias semanas na China, na África do Sul ou na Etiópia é benéfico até “para perceber que nós, no Ocidente, estamos com valores completamente invertidos”, reflecte. O mesmo é válido para o Irão — “possivelmente, o país de que mais gostei até hoje” — ou para a Colômbia, tudo estados “menos recomendáveis”.
Entre fotografias, vídeos e textos no Born Freee, Rui vai guardando o que vive mundo fora. Os carimbos ficam gravados no passaporte. Ou nos passaportes, que 101 países obrigam a mais do que um livrinho. “É uma relação difícil de explicar”, descreve, esta com o documento de identificação que abre fronteiras. O primeiro de todos, “com o carimbo do sítio mais austral do planeta”, nunca lhe foi devolvido: “Tenho um trauma por ter perdido esse primeiro passaporte que tanto me orgulhou.”   
Finda a viagem no 101.º país, Rui já estará a pensar na próxima. A Argélia está na mira já para o próximo ano, bem como outro desejo antigo, o Quirguistão. Pelo meio, gostava de explorar mais o interior de Portugal. “Temos paisagens brutais, natureza profunda, paz, gente brutal, e eu tenho saudades do Portugal da minha infância e que ainda se consegue encontrar em aldeias pequenas.” Ir, conhecer pessoas, sentar-se num banco de pedra e ficar por lá. “As pessoas também gostam de falar com estranhos.”

Ana Maria Henriques - Fugas

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

MSC lança cruzeiro à volta do mundo

São quase quatro meses a navegar pelos oceanos do planeta, com paragem em 49 cidades. O primeiro cruzeiro de circum-navegação da MSC parte apenas em 2019, mas as reservas esgotaram em poucos dias.
Depois de a Viking Cruises ter anunciado o seu primeiro cruzeiro à volta do mundo, em Junho, agora é a vez de outro gigante dos cruzeiros se lançar no mercado crescente das viagens de circum-navegação em navios de cruzeiro.
O MSC Magnifica vai partir de Génova a 5 de Janeiro de 2019 e regressar à cidade italiana 119 dias depois. Durante quase quatro meses, o primeiro Cruzeiro Volta ao Mundo da companhia vai percorrer mais de 32 mil milhas náuticas, fazendo escala em 49 portos de 32 países.
Entre eles, o arquipélago de Tonga, as praias de água cristalina de Bora Bora (Polinésia Francesa), a cidade colombiana de Cartagena das Índias ou Aqaba, a única cidade portuária da Jordânia. Mas também Nova Zelândia, ilhas Fiji ou nove portos das Caraíbas. E Funchal. Ao sétimo dia de viagem, o navio ficará atracado na ilha da Madeira durante dez horas, a única escala portuguesa do itinerário.
De acordo com o comunicado, os “destinos mais cobiçados” vão ter “estadias prolongadas”, incluindo quatro dias na Polinésia Francesa, três no Havai e em São Francisco e dois dias em Los Angeles.
No site da companhia, o cruzeiro inaugural já se encontra esgotado. Os preços iniciavam-se em 11.889€ (camarote interior), valor ao qual acresciam pelo menos 610€ de taxas portuárias.
O navio Magnifica foi construído em 2009 e actualmente navega pequenos cruzeiros no Mediterrâneo. Tem capacidade para 3223 passageiros (mais cerca de mil membros da tripulação), cinco restaurantes gourmet, 12 bares temáticos, casino, discoteca, cinema 4D e spa, entre outros.  
As viagens à volta do mundo são uma tendência em crescendo no mercado dos cruzeiros, com várias companhias a lançarem novos itinerários. Em Junho, a Viking Cruises anunciou o seu primeiro programa de circum-navegação, a bordo do Viking Sun, com 141 dias de duração e partida inaugural em Dezembro de 2017. O navio, com capacidade para 930 passageiros, fará escala em 66 portos de 35 países, incluindo no Porto, Sydney, Xangai, Los Angeles, Havana, Mumbai, Alexandria, Ho Chi Minh, Mascate, Cagliari. Custa cerca de 40 mil euros por pessoa. 

In Fugas (Público)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Tem 89 anos, é russa e viaja sozinha pelo mundo

Elena Mikhailovna gasta parte da reforma a viajar desde os 83. Uma compatriota conheceu-a por acaso num restaurante no Vietname e trouxe a avó Lena para a ribalta da Internet.

Ekaterina Papina estava a tomar o pequeno-almoço quando, ao segundo dia de férias no Vietname, ouviu alguém falar russo. Os ouvidos sintonizam automaticamente os olhos quando alguém fala a nossa língua a tantos quilómetros de distância de casa e os dela arregalaram-se de espanto. A voz saía de uma mulher curvada, de cara enrugada, que tentava explicar ao empregado de mesa que não queria picante na comida. Decidiu ajudá-la e o queixo caiu-lhe.
Por trás daqueles óculos grandes, das rugas e dos cabelos brancos, estava uma viajante e aventureira. Elena Mikhailovna, 89 anos de idade e seis de passeios pelo mundo. Entre os países visitados: Turquia, Alemanha, Polónia, Vietname ou República Checa, o país preferido da avó Lena, como a baptizou Ekaterina. Já o visitou cinco vezes: uma por ano desde que, aos 83, decidiu que ia gastar parte da reforma a viajar.
Ekaterina Papina conta tudo no Facebook, entre um longo texto (em russo) e muitas fotos. O post depressa se tornou uma sensação na Rússia e já corre além-fronteiras pela Internet. É que a avó Lena viaja sozinha, de cajado e mochila às costas. E tem uma vida repleta de histórias.
Nasceu em 1927 em Krasnoyarsk, cresceu num orfanato e sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, trabalhando os campos com um carro de bois na zona de retaguarda, em Oremburgo. Quando a paz veio, manteve-se na agricultura e casou com um militar. Teve uma filha e tudo corria bem. Até o marido começar a beber. E a bater nas duas. No post, Ekaterina não conta o que terá acontecido depois. Passa directamente para a parte feliz: Elena tem dois netos, vive sozinha e viaja pelo menos duas vezes por ano.
Desta vez, o destino foi o Vietname. A dificuldade em ver, que os óculos apenas atenuam, é o único problema que a tem retraído nas aventuras (corre uma campanha de donativos para pagar-lhe a operação aos olhos, depois de a primeira não ter corrido bem). Mas raramente diz que não a um desafio. Viagens de moto ou passeios de camelo, banhos no mar, subir as alturas ou experimentar pratos exóticos. Já fez de tudo.
Para o ano terá 90 anos. E nos planos, Israel.

in Fugas

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

TripAdvisor deixa de vender bilhetes para atracções com animais selvagens

Nadar com golfinhos, passear no dorso de um elefante ou posar com um tigre para a fotografia das férias. A partir de agora, as atracções turísticas com animais selvagens ou em perigo de extinção estão banidas da TripAdvisor.
Tanto a gigante de reservas online como o Viator, site semelhante adquirido pela TripAdvisor em 2014, vão “descontinuar a venda de bilhetes para experiências turísticas específicas durante as quais os viajantes entrem em contacto físico com animais selvagens e espécies ameaçadas que estejam em cativeiro”.
Num comunicado publicado esta terça-feira, a TripAdvisor anuncia a sua nova política de reservas, banindo a venda de bilhetes para atracções turísticas que integrem interacções directas com animais selvagens. É a primeira grande empresa no mercado das reservas turísticas a tomar tal decisão. Nadar com golfinhos e baleias, subir ao dorso de elefantes ou acariciar tigres são algumas das actividades que deixam de estar acessíveis naquele que é o maior site de reservas turísticas em todo o mundo.
A possibilidade de marcar algumas destas actividades “cessou imediatamente” no site da empresa, mas as alterações à política de reservas só estarão “totalmente concluídas e implementadas no início de 2017”.
Os lucros gerados por este tipo de actividades – muitas vezes associadas a políticas governamentais inadequadas ou mesmo inexistentes neste sector – tornam os animais especialmente vulneráveis a empresas dispostas a ultrapassar limites ao nível da sua segurança e bem-estar. Animais drogados ou maltratados para se tornarem mais amistosos, acorrentados, mal-nutridos ou traumatizados pelos treinos violentos são alguns dos casos mais graves.
Estas experiências turísticas são há muito criticadas por organizações ligadas à conservação da vida selvagem e várias associações já vieram a público louvar a medida. No entanto, algumas mantêm reservas quanto à sua real eficácia ou peso para travar estas práticas a nível global. Outra das críticas prende-se com o facto de a medida não incluir, por exemplo, atracções turísticas que, embora não implicando um contacto directo com os animais, os mantenham em cativeiro e os utilizem em espectáculos.
Actividades com animais domésticos, como “andar a cavalo” ou “acariciar coelhos”, e as que implicam tocar ou alimentar animais em jardins zoológicos ou aquários sob supervisão dos funcionários do estabelecimento são consideradas excepções à nova política da TripAdivsor.
Além desta medida, a empresa anunciou igualmente estar a planear um novo “portal educacional” sobre a temática. O objectivo da plataforma, que também deverá ser lançada no início do próximo ano, é “ajudar a informar os viajantes sobre os padrões de cuidado e protecção de espécies de animais selvagens, ameaçadas e em cativeiro no sector do turismo, sobre a interacção destes animais com os turistas e o seu impacto na conservação da vida selvagem”.
A página vai disponibilizar vários links e informação sobre boas práticas associadas ao tema, incluindo “inúmeros pontos de vista de especialistas nos sectores do turismo sustentável, protecção animal, conservação da vida selvagem, zoologia e ciência marinha”. Entre os parceiros da iniciativa estão organizações não-governamentais como a Peta ou a World Animal Protection.
No futuro, todas as actividades disponibilizadas no site que tenham algum tipo de interacção com a vida selvagem vão ter um botão especial para o portal, para “ajudar os viajantes a fazer escolhas e a escrever comentários mais informados sobre cada experiência”, adianta a empresa no comunicado. 

Mara Gonçalves - Fugas
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